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O olhar de uma brasileira sobre a Women’s March em Washington

O olhar de uma brasileira sobre a Women’s March em Washington

Reprodução / Facebook

Por Carolina Atwood, antes de tudo mulher e mãe, especial para o espnW

O dia 21 de janeiro de 2017 ficará marcado na minha vida para sempre. Foi a data em que eu, brasileira, casada com um americano, com filhas nascidas nos Estados Unidos, me juntei aos milhares de mulheres, homens e pessoas de todo tipo de credo e etnia em Washignton D.C. na Marcha das Mulheres, uma demonstração pacífica para mostrar apoio aos direitos das mulheres e direitos humanos.

womens-marchApós escutar ultimamente tantos discursos políticos e comentários em redes sociais baseados em ódio, medo e discriminação, eu e minha família decidimos nos juntar a esse protesto. Viajamos 7 horas para chegar em Washington D.C.. Lá, vimos mulheres, homens, crianças, jovens, idosos, pessoas com deficiência física, americanos de diferentes etnias e raças, imigrantes como eu, ativistas, LGBT e pessoas famosas.

Quantas vozes! Todos se mobilizando para mostrar aos EUA e ao mundo todo a potência da democracia e da diversidade, para mostrar que não podemos deixar uma retórica machista e discriminatória ser normatizada, que juntos temos força, que juntos já conquistamos tantos direitos e que juntos devemos lutar pelos nossos direitos.

A diversidade presente era tão grande e inspiradora que me deu esperança de um mundo melhor e, mais importante ainda, me proporcionou uma constatação de que basta nos movermos para causar mudança, para nossa voz ser ouvida!

A Marcha das Mulheres em Washington, que se espalhou por todo os Estados Unidos e outras cidades do mundo, fez história e eu fiz parte ativa dela. Esse movimento me deixou radiante e pronta para lutar pelos direitos das mulheres, pelos direitos humanos, para avançar a humanidade e não voltar para trás.

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Ah, o que isso tem a ver com esporte? Tudo. O ponto em comum é ter direitos iguais em qualquer setor da vida independente do sexo, cor da pele, etnia, credo, opção sexual, etc. Aqui nos EUA as minhas filhas jogam futebol, que é um dos esportes mais praticados por meninas nas escolas. Você, menina, mãe, mulher aí no Brasil, que adora futebol, mas na sua escola, universidade ou comunidade só homens “podem” jogar, não deixe isso se normalizar.

Você na mesa do bar que se intimida para dar sua opinião sobre um jogo, pois só homens estão comentando, não deixe isso se normalizar. Você que é ou tem um amiga(o) transsexual que gostaria de praticar um determinado esporte mas é negado, não deixe isso se normalizar. Se faça ouvir e lute pelos seus direitos.