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Tathiana Parmigiano

Semana Mundial do Aleitamento Materno: amamentação não impede volta aos treinos, e algumas dicas podem ajudar

Semana Mundial do Aleitamento Materno: amamentação não impede volta aos treinos, e algumas dicas podem ajudar

Está sendo comemorada a “Semana Mundial do Aleitamento Materno” (SMAM). E quando alguém fala sobre o aleitamento materno, o que vem à mente é a importância dele. A nutrição do bebê, a formação da sua musculatura oral, os anticorpos que passam e que servem de proteção nesse início de vida, a composição perfeita para sua boa absorção num intestino ainda tão novinho e um tanto imaturo… tudo isso é inegável. Além de tudo, o contato com a mãe: aquela cena de cinema que não tem como não se emocionar.

Tudo isso é verdade. Mas quem já passou por isso ou acompanhou de perto quem amamenta de maneira exclusiva, sabe que a mãe demanda de apoio, paciência e persistência para conseguir o que muitos acham “óbvio”. Eu admiro todas as minhas pacientes que amamentam de maneira exclusiva. Algumas conseguem com mais facilidade, é verdade, mas outras realmente superam a dor, o cansaço, o sono por aquele momento. São merecedoras do reconhecimento de todos. Sempre!!

Por outro lado, a gente não deve julgar quem não conseguiu. Às vezes, a tentativa existiu mas algo não permitiu que as coisas acontecessem como esperado.

Sem títuloEu aprendi, na faculdade, que “toda mulher tem leite” e que “nenhum leite é fraco”. Mas na prática nem sempre é assim. Eu não consegui. Por uma cirurgia de mama anterior, minha produção era insuficiente e meu filho perdeu peso por 2 semanas consecutivas. E olha que eu tentei. Mas não dava, não tinha leite suficiente. Eu ia ter que ter outra estratégia…

Aprendi no pós parto, com um amiga fonoaudióloga, que existia um aparelhinho chamado “relactador”. Ele permitiu que eu passasse o “complemento” via uma sonda, e o Pedro mamava pelo meu mamilo. Não foi exclusivo… mas ele estimulava minha produção, fortalecia sua musculatura oral e recebia meu carinho. Mudou minha vida e me livrou de qualquer frustração.

Por mais que quem vá acompanhar efetivamente o aleitamento seja o pediatra, o estímulo deve se iniciar no pré natal com o obstetra. O preparo do mamilo, a orientação de que o mais importante é a “pega” adequada (como a boquinha do bebê se encaixa) e, acima de tudo, informações reais de que o começo pode ser difícil, mas que o esforço trará grandes benefícios a mãe e filho.

relactadorAos dois, pois o aleitamento aumenta em 600 kcal o gasto energético diário da mãe e a ajuda a recuperar o peso adquirido na gestação. Além disso, inibe sua ovulação, pois o corpo entende que ela não está preparada para outra gestação no momento e, ainda, leva a mama a um grau final de desenvolvimento, sendo isso um fator protetor contra o câncer.

A Camila Brait, jogadora de vôlei que está gestante de 23 semanas, lançou uma campanha sensacional nesta semana: “Atletas amamentam”. A ideia é incentivar o aleitamento materno e dizer que isso não impedirá o retorno ao exercício no pós parto.

Os treinos não diminuem a quantidade e não interferem na qualidade do leite, se feitos de maneira moderada. Amamente ou tire o leite para armazenamento antes de treinar, treine com um top firme, de alças largas que sustentem bem as mamas. Hidrate-se ainda mais.

A produção de leite só diminuirá se estiver desidratada ou se houver a produção de ácido lático, o que pode ocorrer em um treino muito intenso. Nesses casos, quando excretado, o ácido lático pode mudar o gosto do leite. Aí o bebê suga menos, e isso diminui a produção. Se seu treino for mais intenso, tente tirar um pouco de leite antes para a próxima mamada ou faça um intervalo maior para oferecer o peito quando voltar.

O mais importante: paciência. Não só o bebê, mas também a mãe está aprendendo todo o processo. E tudo será muito mais fácil e prazeroso se a mãe tiver calma, o que pode ser feito com o apoio de quem está por perto.